Editorial
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24.08.2014

Salão do Automóvel, quem ganha com isso?

Fortunée Levi - Diretora de Redação da Tempos & MovimentosAs concorrências para o Salão Internacional do Automóvel 2014 estão praticamente concluídas... e o clima no mercado de live marketing é de indignação... e não é pra menos...

 

Apesar de todo o movimento de conscientização realizado pela Ampro, o departamento de Compras de algumas montadoras de carros continua fazendo a festa... às custas das agências... e um custo altíssimo!...

 

Neste ano, algumas agências tiveram que lidar com uma novidade ... as duas finalistas participam de um leilão... sim, isso mesmo, um leilão (!...) para se chegar ao melhor custo final.

 

Soubemos de uma agência que precisou refazer a planilha final 13 vezes! E de uma montadora que não determinou o budget, “para não inibir o processo criativo das agências”, o que resultou em projetos fora da verba (óbvio...), que tiveram que ser totalmente refeitos depois.

 

 

Como se não bastasse tudo isso, muitas montadoras não se deram ao trabalho de informar aos participantes o resultado da concorrência. E sequer atendem o telefone ou respondem e-mail. Uma total falta de respeito com as agências, que investiram tempo e dinheiro durante meses.

 

Mas, se é tão ruim assim, por que as agências continuam participando? Se analisarmos um pouco mais esta questão, chegaremos em outra, mais pertinente...

 

Afinal de contas, quem ganha com o Salão do Automóvel?

 

As montadoras de carros? Com certeza não. Nas últimas edições do Salão do Automóvel, os clientes desapareceram. As péssimas condições de infra-estrutura do pavilhão espantaram os consumidores e os espaços foram ocupados por um outro tipo de público, que gosta de ver carros bonitos, de ver mulheres bonitas, mas que não pode ter nem uma coisa, nem outra... Cria-se um clima de desejo e frustração que toma conta dos corredores. E o que isso agrega pra marca? Nada.

 

Algumas montadoras de carros começam um movimento no sentido de não participarem mais do Salão, a partir de 2016, se estas condições se mantiverem. O difícil é a primeira se posicionar oficialmente. Depois, com certeza, outras vão aderir.

 

As montadoras de carros não ganham. As agências não ganham, pelo menos não dinheiro, somente visibilidade. E os fornecedores?

 

Conversamos com alguns fornecedores e para eles, o Salão ainda representa um bom negócio. Ele traz visibilidade e retorno financeiro, já que representa longos períodos de locação de equipamentos e serviços.

 

E a Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento?... Com certeza, ela ganha, e muito!!! Mas isso não justifica a manutenção de um formato obsoleto e insustentável.

 

E o que pode ser feito para mudar este cenário desanimador?

 

As montadoras precisam estabelecer critérios claros para as concorrências e agir com transparência durante todo o processo. Isto inclui divulgar o resultado das concorrências e dar um feed back para cada agência. Algumas poucas montadoras adotaram esta prática.

 

Para ter retorno do investimento feito no Salão do Automóvel, as montadoras precisam investir em ações inteligentes, com mais espaços exclusivos para os clientes e formadores de opinião, voltados para experiência do consumidor. Um direcionamento que, pelo que soubemos, foi adotado em alguns stands neste ano. O que já é um bom sinal.

 

Mas a grande mudança de paradigma pode estar no uso que se faz (ou que não se faz...) do stand, terminado o evento. Tanto nos EUA quanto na Europa, a grande tendência são os stands clean, totalmente desmontáveis. Os mesmos materiais são reaproveitados em outros eventos da montadora.

 

As agências precisam se conscientizar que, quanto mais elas se sujeitam às solicitações de Compras, mais elas alimentam este formato insustentável de se trabalhar. Aprender a dizer não faz parte do amadurecimento de quem está no comando de uma agência. O difícil é lidar com o medo de fechar as portas naquela montadora...

 

A Reed promete há anos melhorias no Pavilhão do Anhembi, na organização, na infra-estrutura... e a cada ano algumas poucas melhorias são implantadas, mas que não resolvem o problema mais grave, que é o próprio pavilhão. À espera da possível construção do Expo-SP, que seria subvencionada pela prefeitura, nenhuma iniciativa foi tomada para se construir um novo espaço.

 

Enquanto isto tudo não acontece, ficamos na expectativa de que as poucas inovações programadas por algumas montadoras sejam um sucesso, o que pode estimular uma mudança maior no formato do evento em 2016. Estamos na torcida!!!

 

 

Leia também:

Quem está aonde, no Salão do Automóvel?

As inovações do Salão NAIAS 2014

 


 

Foto: Édi Pereira, http://edipereira.wix.com/fotogaleria

 

 





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Sob o olhar atento da Diretora de Redação! Nesta seção Fortunée Levi comenta e opina sobre a movimentação e as novidades do mercado.