Fórum Ética
Recomendar esta página no Facebook       


03.11.2014

O que faz alguém ser íntegro?


Cely Ades tem uma longa relação de títulos e trabalhos realizados: doutorado em Inovação pela FEA–USP, com graduação em Administração de Empresas, mestrado com foco em Marketing e pós-graduação em Tecnologia Educacional e Criatividade.

 

 

 

Palestrante desde 2001 em faculdades, congressos, empresas e instituições públicas, com temas voltados para inovação, marketing, motivação e criatividade, Cely Ades trouxe, em exclusividade para os leitores da Tempos & Movimentos, sua análise sobre integridade. 

 

O tema de extrema importância complementa o movimento a favor da ética conduzido pelo nosso portal, Ampro e Associação dos Ex-Alunos da FGV, e que resultou no Fórum Ética no Live Marketing que será realizado no dia 04 de dezembro. 

 

Em uma entrevista, que mais se aproximou de uma bela palestra, Cely nos levou até pontos interessantes que comprovam que o sucesso, seja na vida pessoal ou profissional, precisa estar ligada e de mãos dadas com a integridade. 

 

Só para adiantar um trecho desse bate-papo:

 

“Quando uma empresa defende e pratica os seus valores, ela tem integridade e, por consequência, tem coerência. Quando um fornecedor se sujeita a condições que pra ele não são aceitáveis, ele está comprometendo a sua integridade. Portanto, ele está colocando em risco sua estabilidade e coerência. A empresa e seus funcionários tem que estar conectados nos valores e princípios”

 

 

 

Qual o diferencial das suas palestras?
O tema pode ser Inovação, Gestão, Marketing, não importa, o foco está no ser humano. O diferencial das minhas palestras está na abordagem. A humanização é possível em qualquer segmento. A essência do ser humano faz a diferença. Ele é que pode mudar a sua prática.

 

Você pode dar um exemplo?
Um conceito muito bacana, pra exemplificar, é a ideia de marketing da experiência na gestão, ou seja, gerar experiências de vida para os colaboradores da empresa, e não só para os clientes.

 

O fato do funcionário sentir que a sua ideia é considerada, ele se sente valorizado e portanto motivado a contribuir mais com a empresa.

 

Ao participar do processo criativo, uma reunião de geração de ideias para resolver um problema, por exemplo, o colaborador sai diferente do que entrou. 

 

As mudanças de um paradigma, dentro de uma empresa podem levar anos a partir de estímulos cerebrais, ou você pode ter uma estratégia para implantar esta mudança, que inclui criar situações de experiência que o colaborador chega no novo conceito por ele mesmo. O que ajuda nessa hora é conhecer como funciona o mecanismo da mente até chegar a formar conceitos, preconceitos e convicções. Identificar as causas e efeitos das nossas ações é essencial.

 

Tenho que perceber que sou importante dentro de um sistema: perceber que interfiro com minhas ações, minhas palavras e até meus pensamentos nos ambientes que frequento. Sem falar nada posso influenciar a atmosfera com o meu bom ou mau humor. Você interfere no sistema em que você esta inserido, em maior ou menor grau, de forma consciente ou inconsciente. A consciência desta responsabilidade, além de motivar o colaborador, abre espaço para aperfeiçoamento individual e coletivo.

 

Que influência eu posso ter com meu círculo próximo de convivência, por exemplo, na minha profissão? Como professora, já dei aula para mais de 10.000 alunos. Já pensou o que é isso? Que influência eu exerço sobre eles? Que sentimento e perspectiva de vida eu passo pra eles? Eu tive um professor muito pessimista e resolvi fazer diferente. 

 

Como seria uma palestra motivacional, seguindo esta abordagem, para uma convenção de vendas, por exemplo?

 

A maior dinâmica é fazer as pessoas pensarem. Perceberem que elas são capazes de refletir sobre a sua atuação na empresa e saberem como fazer para que suas ideias sejam aceitas e implementadas, ou melhor, como fazer acontecer. Estamos falando sobre Pensar e Fazer. Você precisa fazer um plano de ação para fazer as suas ideias acontecerem, tanto no trabalho, como para a vida individual, familiar, educação de filhos, enfim, para tudo.

 

As vezes, se fazem grandes planos para a empresa, mas que não saem do plano das ideias. A pessoa sai da palestra motivada, com condições para executar e estimulada a buscar recursos, novos elementos, para colocar em prática suas ideias. As pessoas têm uma propensão natural à inércia. Vencer esta inércia é o principal desafio.

 

Você pode ter uma capacidade potencial, mas pra colocá-la em prática, vai precisar de elementos que tornem esse potencial em algo real. Você pode descobrir que tem uma determinada capacidade, mas depende do empenho de cada um desenvolver esta capacidade. É o famoso “Eu posso”, sentido na prática.

 

Outro tema tratado nas palestras foi sobre a profissão da convivência humana, porque este tema é o que mais gera problemas nas empresas. Tecnicamente as pessoas podem ser competentes, mas falta habilidades para conviver bem. A gente pode ser bem avaliado e até demitido de uma amizade. O que ajuda é entender que a primeira convivência é com a gente e nessa convivência posso começar a descobrir algumas características que me ajudam e outras que atrapalham na convivência.

 

Descobrir é o primeiro passo. Como lidar com suas características é o segundo passo. Mas também tem que lidar com as características das outras pessoas. Você pode, depois de identificar essas características, estabelecer estratégias para acertar e ter sucesso. 

 

Se preparar para essas situações e saber com lidar com determinada característica própria e dos outros. Assim se pode planejar experiências cada vez melhores e aperfeiçoar seus relacionamentos. Nas palestras falo sobre recursos, técnicas e ferramentas para que cada um tenha maior domínio sobre as situações e não seja um simples marionete.

 

Perceber que os indivíduos que estão à sua volta são seres humanos em evolução, assim como eu, me faz pensar que posso ajudar mais ao invés de atrapalhar nessa jornada. Quando sei que os outros tem lutas, expectativas, frustrações, dúvidas e anseios, posso ser mais paciente. A grande maioria dos problemas que acontecem na esfera profissional são por questões individuais.

 

Conhecer-se e conhecer quem está à sua volta é o primeiro passo na convivência. Posso desenvolver a cada dia a capacidade de ver a parte invisível do ser humano (sentimentos, pensamentos, emoções, dúvidas, questionamentos).

 

Vamos falar sobre a integridade?

 

A gente ouve bastante falar de integridade, mas como é isso? Uma pessoa íntegra tem um núcleo forte e atrai pessoas e coisas que tenham afinidade com essa essência; ela inspira outras pessoas. 

 

A integridade tem a ver com ser inteiro e uma das coisas que não deixa essa integridade existir é que a gente tem uma desconexão dentro da própria vida. Gosto de alguém e trato mal, quero falar em público e não consigo por timidez, quero cuidar da família e da humanidade e não sobra tempo. Parece que o que a gente pensa está desconectado com o que a gente sente e o que a gente quer está desconectado com o que a gente faz.

 

Outra coisa que me faz ser íntegro é me completar. Se a gente pensar que o ser humano tem uma imagem arquetípica, que pode ser diferente, dependendo dos valores e experiências de cada um, dá pra pensar que cada um tem fragmentos dessa imagem ideal. É na troca desses fragmentos que posso formar gradualmente esse ser humano completo e cada vez mais íntegro. 

 

Já tive chefes e colegas, filhos e alunos que me inspiraram a ser melhor. Quanto mais valores, conhecimentos, acertos, maior o poder que exerce a pessoa que tem integridade. 

 

Isto se aplica também a empresas. Quando uma empresa defende e pratica os seus valores, ela tem integridade e, por consequência, tem coerência. Quando um fornecedor se sujeita a condições que pra ele não são aceitáveis, ele está comprometendo a sua integridade. Portanto, ele está colocando em risco sua estabilidade e coerência. A empresa e seus funcionários tem que estar conectados nos valores e princípios.

 

No contexto profissional, é muito bom aprender a fazer alianças e contar com competências que estão fora de você. A gente só fica íntegro, inteiro, se a gente eliminar as desconexões e guerras que acontecem dentro da gente e se for feito um esforço para se completar. 

 

 

Leia também:
Entrevista exclusiva com Paulo Rovai: Profissionalismo ou Barbárie. 
Corrupção e carreira, por Silvio Celestino. 

 

 

 

 

 

 

 





< voltar

Fórum Ética
Notícias, artigos e entrevistas sobre o 1o Fórum de Ética no Live Marketing.