Editorial
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07.11.2013

O mercado está estranho

 

 Fortunée Levi, Diretora de Redação da Tempos & Movimentos

 

 

 Se você anda se perguntando se todo o mercado de live marketing está atravessando uma fase estranha, ou se é só você que está passando apertado, saiba: nosso mercado teve uma retração nos investimentos no 2º semestre de 2013.

 

Conversamos com diretores de agências e empresários do setor, para entendermos melhor o que está acontecendo. Afinal de contas, depois de tantas expectativas geradas pela Copa e Olimpíadas no Brasil, isso mais parece um banho frio…

 

Felizmente, esta seca não chegou em todas as agências e fornecedores. Alguns estão trabalhando com força total. Mas as histórias de grandes agências com as pernas quebradas se multiplicam, assim como a quantidade de fusões e aquisições de agências de pequeno e médio porte.

 

O que, para nós, da Tempos & Movimentos, não é uma boa notícia. Preferimos publicar cases de sucesso, exemplos de inovação, de planejamento, de clientes satisfeitos. Cada vez que chega até nós este tipo de notícia (“você já sabe que tal agência está por um fio?”), ficamos pensando: como ajudar?

 

Dois importantes CEOs do nosso mercado sugeriram: “falem sobre a juniorização; isto está acabando com o nosso mercado”. E o que tem a ver uma coisa com a outra?

 

Esta retração é o resultado de um conjunto de fatores. Um deles é a instabilidade sentida pelos clientes com o início das manifestações públicas no país. Mas o que poderia ter sido uma sensação passageira (afinal de contas, o país está funcionando normalmente!), acabou se perpetuando. E por que?

 

Simples: um profissional de marketing experiente está preparado para tomar decisões em situações de contingência. Sabe assumir riscos. Pode ousar com uma certa tranquilidade.

 

Um profissional junior, em tempos de incerteza, ao se ver confrontado em uma situação nova, pode encontrar mais dificuldades em tomar decisões e bancar projetos novos. Então ele puxa o freio de mão e passa a liberar somente o trivial, o mínimo necessário para cumprir tabela.

 

E aqui, vale deixar claro que um profissional “junior” não tem tanto a ver com a idade. Conhecemos profissionais novos extremamente talentosos, competentes e geniais, com sangue para inovar.

 

Já um profissional “junior”, contratado como parte de uma política de cortar custos (e talvez de diminuir a concorrência interna…), recém-saído de uma faculdade mediana, ingressa sem treinamento em uma grande empresa, com a promessa de aprender “em vôo” o que ele precisa saber.

 

E aí, o problema não é a idade e sim a arrogância que muitas vezes acompanha estes profissionais. O que é até compreensível. Um jovem cliente entra em uma reunião com um diretor de uma agência experiente. Ele precisa se impor, mostrar “quem manda na casa”. Ele também precisa pedir mais e mais versões de um projeto, porque ele não tem elementos para tomar uma decisão importante.

 

Falta coragem, para este tipo de profissional, para inovar, repensar, transformar a adversidade em oportunidade. E falta por vezes, por parte de alguns diretores de agências, paciência e disposição para ensinar, formar o cliente.

 

Como quebrar esse círculo vicioso?

 

Compondo competências, aprendendo e ensinando, construindo junto com o cliente uma relação sustentável, justa. Aprendendo a comunicar melhor as necessidades, os prazos, os custos e os riscos acarretados a cada indecisão do cliente. Com planilhas claras e objetivas dos tempos e movimentos da produção, é possível mostrar para o cliente os dead lines e ajudá-lo a se organizar.

 

Mas, o mais importante, é saber dizer não pro cliente. Com gentileza, sempre. Mas não é não. E ponto final. Quando o atendimento da agência não se posiciona, com medo de desagradar o cliente, ele pode estar criando um rombo irrecuperável para a agência.

 

Um cliente jovem pode ser excelente, se mantiver a disposição de sempre aprender, trocar, crescer. Mas quando ele acha que sabe tudo... é porque ele ainda vai passar por muitas experiências desagradáveis...

 

 

 

 



Comentários
NILTON SANTANA em 26/11/13
EXTREMAMENTE OPORTUNO E IMPORTANTE SEU TEXTO, EXATAMENTE NO MOMENTO DO ANO EM QUE TODOS NO MERCADO, ESTÃO COMEÇANDO FECHAR AS PASTAS 2013!!! PARABÉNS! ABRAÇOS FORTUNÉE.
Agnaldo Antonio em 13/11/13
O que percebo,é que hoje algumas, agências de publicidade fazem muito o obvio, Por um motivo ou outro somente contemplam grandes veículos. Talvez, por medo de oferecer algo novo para o cliente ou para não ter trabalho de montar um novo plano de mídia.
Raphael Jessouroun em 12/11/13
Você disse tudo em uma palavra. NÃO saber dizer não é para poucos, mas vale muito no nosso atual mercado. Parabéns pela objetividade do seu texto.
Norton Savin em 08/11/13
Creio que todos concordam com o texto, mas o problema é que continuamos vendo leilões com concorrências com mais de dez agencias e prazos de 90 dias para pagar até mão de obra em Live Marketing . Isso com agências premiadas , filiadas à Ampro, entre as melhores do ano , consideradas melhores para trabalhar, etc...Imagine a situação das outras !! E isso nunca vai mudar, porque ninguém vai querer deixar de participar , ou vai ter sempre um que se submete ás condições........ o diretor de marketing da empresa cliente ou até o cara de compras ainda vai ser premiado por "espremer" um pouco mais. Hoje no pdv o concorrente é a agencia de rh que vende mão de obra como redução de custos e terceirização, diminuindo cada vez mais o cachê do pessoal e sua qualificação. Já chegamos no valor do piso e o pessoal prefere receber seguro desemprego do que trabalhar , ou não tem comprometimento. E isso não é de agora não......se conseguiram reduzir salário e muitas vezes ganhamos % sobre as contratações , estamos com escassez de trabalho e pelo menos 15 anos sem aumento !!
Simone Pereira em 08/11/13
Sensasional o seu posicionamento. Isso mesmo. Hj. temos "jovens" no comando de grandes organizações, que não tem experiência mas tem o poder de decisão. Acham que tudo pode. E assim como nas organizações temos os "jovens" de atendimento que acham que tudo é possível. E aí, produção e fornecedores ficam reféns do "achismo" e da falta de compreensão. No final tudo dá certo, mas com certeza poderia ser com menos desperdício (tempo e dinheiro) e stress, assim como, com mais profissionalismo e leveza em cada job.
fernando albieri em 08/11/13
all said
Denise Prado em 07/11/13
Venho batendo nessa tecla há um bom tempo, temos que preparar novos líderes, lideres sustentáveis, que entendam o que significa comandar uma equipe, que saiba dizer ao cliente que aquela situação naquele monento pode ser inviável. Mas também as Agencias tem que ser menos gananciosas, essa estória da rentabilidade a qualquer preço não é boa, pois aperta todo mundo. Sinto muito ser tão explicita aqui, mas já formei produtores e equipes e sempre tive esse cuidado, não existe Chefes ou superiores, em uma Lideranca Sustentável, existem Colaboradores e Facilitadores e isso faz toda a diferenca. Parabéns pelo Edotorial, vcs estão qualificando as informações para esse mercado.
Luiz Pellegrino em 07/11/13
Concordo tem que ter coragem, conhecimento de causa e muita segurança quando se diz Não para o cliente, mas infelizmente hoje o que temos nas agências é um monte de aprendiz na produção, mais um monte de patricinha no atendimento e o resto que sobra só pensa em rentabilidade a qq custo. Os produtores freelance estão cada vez mais sem espaço nos projetos, e quando são chamados acabam entrando na boca do furacão e a coisa já esta perdida...
Martha Orlov em 07/11/13
Linguagem clara, análise objetiva, orientação segura com o objetivo de ajudar. Parabéns.
Luis Carlos Carraro em 07/11/13
Eu trabalho no seguimento de cosméticos e o sentimento é o mesmo.
perneta em 07/11/13
o mercado está se esfacelando... muitas empresas estão pedindo bolas imensuráveis, e isto está sendo repassado ao cliente, que vê suas ideias em situações estratosféricas, por outro lado os fornecedores estão vivendo momentos difíceis... pense nisso
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