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22.09.2014

Corrupção e carreira

 


 

Sílvio Celestino é sócio-fundador da Alliance Coaching - empresa especializada em Coaching e desenvolvimento de líderes empresariais.

Atua como coach de presidentes, VPs, diretores, CEOs e gerentes de organizações no Brasil e no exterior.

 

Sílvio Celestino autorizou a publicação deste artigo para a série "Profissionalismo ou Barbárie" da Tempos & Movimentos. 

 

 

 

Em um país que promove sistematicamente a corrupção como forma de obter renda, ser ético é escalar uma montanha sem topo. É desanimador ver o quanto nossa cultura valoriza aqueles que não seguem as regras do jogo. De quem consegue furar a fila no banco até aqueles que conseguem criar um esquema na Petrobras, muitos, tacitamente, os admiram.

 

De certo modo, a corrupção é um meio de obter conquistas de curto prazo e comprometer a profissão no longo prazo. Pode ser na política ou dentro de uma empresa. Ser antiético é fomentar a morte da própria carreira.

 

Uma das causas para essa situação é que muitos ainda consideram normal a existência de benefícios e privilégios para alguns, especialmente aqueles que estão no governo, em detrimento de todos.

 

Nossa cultura possui um elevado índice de distância do poder (IDP). Ele mostra o grau em que os membros menos poderosos de uma sociedade aceitam e esperam que o poder seja distribuído de forma desigual. Reflete como ela trabalha com as desigualdades entre as pessoas. Nas sociedades com elevado IDP, ocorre a aceitação de uma ordem hierárquica na qual todo mundo tem um lugar e que não necessita de maiores justificativas. Ou seja, é como se os indivíduos que estão no governo pudessem fazer o que quisessem. Não precisamos perpetuar uma característica cultural como essa.

 

Também nas empresas, executivos, diretores e, principalmente, acionistas, devem ser implacáveis na depuração da corrupção em suas organizações. Não são apenas em algumas empresas que possuem contratos com governos que vemos fraudes.

 

Há profissionais que, mesmo no relacionamento entre companhias, insistem em obter vantagens indevidas com os fornecedores. Principalmente indivíduos acima de qualquer suspeita, como é o caso de diretores, que deveriam combater a fraude, em vez de participar dela. É óbvio que ela causa danos no mercado de fornecedores, compromete a concorrência e tira dinheiro de acionistas – daqueles que não participam da falcatrua, é claro.

 

O primeiro ponto para o combate à corrupção é falar sobre ela. Nesse aspecto, estamos muito melhor que no passado. Temos de identificar aqueles que dela fazem parte e nos afastar. Afinal, as pessoas deveriam observar com mais atenção o que ocorre no longo prazo com aqueles que se deixam corromper. Suas carreiras são manchadas e, em muitos casos, interrompidas precocemente, sem falar naqueles que acabam na cadeia.

 

Penso que um ponto importante é valorizar menos as pessoas que ostentam as coisas, e mais a forma como elas são obtidas. Menos o que a pessoa tem, e mais o que ela é.

 

É fantástico observar o empregado que progride por causa de seu trabalho e esforço. Também é inspirador ver um empreendedor começar do zero, por vezes cair, se levantar e crescer ao longo dos anos. Ambos merecem o melhor que a vida pode lhes dar. Cada conquista tem um enorme significado em sua história, pois foi obtida por competência e dentro das regras do jogo.

 

Na verdade, são as pessoas incompetentes que dão preferência às falcatruas, pois sabem que o trabalho duro e o esforço demoram a dar frutos, e elas desejam resultados imediatos, ainda que sem merecimento.

 

Entretanto, a desonestidade não deixa rastros somente nos computadores e na internet, mas também em sua consciência. Não faça isso!

 

Vamos em frente!

  

Fonte: Jornal O Globo

 

 

 

 





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AUTOR



Silvio Celestino
Sílvio Celestino é sócio-fundador da Alliance Coaching. Foi VP do Chapter São Paulo da Federação Internacional de Coaches e hoje atua como coach de presidentes, VPs, diretores, CEOs e gerentes de organizações no Brasil e no exterior.