Manual de Produção
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31.03.2014

Boas Práticas em Segurança em Eventos: É preciso aprender com quem faz bem!

 
 "Os megaeventos compilam uma série de impactos, tanto positivos quanto negativos. Um destino ao sediar acontecimentos especiais desse porte tem um benefício extraordinário de visibilidade e atratividade de turistas."
 
 
 
Em todo o complexo de planejamento dos eventos são inúmeros os itens que devem ser incluídos no plano de ação para a realização dos mesmos, de forma exitosa e de alto nível. Porém um dos atributos que atualmente mais despertam atenção dos OPCs e do público em geral está relacionado com a segurança nos eventos e suas extensões.
 
 
Questões até então pouco disseminadas como atos terroristas, violência urbana, uso descontrolado de entorpecentes, entre outros, atualmente são variáveis de segurança que se tornaram zelosas em uma logística responsável que prega a gestão preventiva como recurso profissional que deve anteceder os planos reativos, que devem sempre co-existir.
 
 
Uma referência contemporânea com relação a gestão de riscos no segmento abordado foi a 30º edição dos jogos olímpicos  que ocorreuem julho de 2012, impactando o mundo com um espetáculo de muita tecnologia e luzes, por meio de elaborado roteiro de ode cultural ao país sede desse evento, com ícones universais de grande expressividade brilhando e sendo homenageados em diversos momentos da cerimônia de abertura. Entre tantas espetacularizações, marco dos jogos londrinos, um item chamou e muito a atenção por seu porte e abrangência.
 
 
As medidas de segurança foram as mais fortes lideradas pelo Reino Unido desde o período da 2º guerra mundial. Os números impressionam; foram cerca de 40.000 pessoas, entre eles 18.000 militares que mobilizaram-se para integrar um dos mais amplos e severos planos de segurança que um evento já recebeu até então, afinal de contas este é considerado o maior evento do mundo.O forte esquema inclui até mesmo baterias de mísseis estrategicamente posicionados em edifícios residenciais para eventualmente prevenir o solo inglês de um ataque aéreo.
 
 
Segundo os organizadores olímpicos todo o esquema de segurança foi elaborado baseando-se em três riscos de elevadas gravidades: o terrorismo, situações de criminalidade – como falsificações de ingressos – e manifestações públicas, que tivessem a intenção de aproveitar o evento como plataforma de visibilidade às suas causas.  Pouco antes dos Jogos, foi preciso lidar com um contratempo, demonstrando que em eventos, apesar de todo o planejamento, os planos de contingências são necessários e providenciais. A empresa privada de segurança G4S ocupou as manchetes internacionais nas últimas semanas que antecederam aos jogos ao admitir não ter conseguido recrutar guardas suficientes, apesar de seu contrato milionário com o governo. Com isso, cerca de 4,7 mil soldados adicionais tiveram de ser mobilizados de última hora pelo próprio governo britânico.
 
 
Entre os recursos que foram empregados para evitar a entrada de pessoas não autorizadas, de turistas sem ingressos e de tumultos, está a utilização de armas sônicas e de scanners biométricos de digitais e íris. A identificação de pessoas autorizadas como delegações, equipes de apoio, seguranças e outros funcionários no Parque Olímpico, onde serão realizadas todas as competições durante o evento, foi toda feita com leitura biométrica. Além disso, câmeras de segurança com monitoramento 24 horas por dia também acompanharam as movimentações ao redor.
 
 
Os planos de segurança olímpica começaram a se intensificar após o fatídico massacre em Munique, na Alemanha, em 1972, quando 11 atletas israelenses foram feitos reféns e depois mortos por um grupo terrorista palestino, o Setembro Negro. Posteriormente Seul, em 1988 reforçou o esquema com apoio militar de grande porte já que os jogos foram realizados a apenas 58 quilômetros da zona desmilitarizada separando a Coreia do Sul da Coreia do Norte. Mas foram os ataques terroristas de setembro de 2011 os responsáveis por investimentos maciços em segurança, partindo de US$ 300 milhões de Atlanta para US$ 1,2 bilhão nos jogos olímpicos de 2004. Em Londres os valores somente investidos em segurança ultrapassaa quantia de 553 milhões de Libras esterlinas... dá para imaginar o quanto deverá ser que gasto em 2016 apenas com o item segurança?
 
 
Não há possibilidades de diminuir os investimentos neste tipo de evento, já que há interesses diversos de facções e grupos que podem macular todos os esforços e gerar impactos incálculáveis. Os megaeventos compilam uma série de impactos, tanto positivos quanto negativos. Um destino ao sediar acontecimentos especiais desse porte tem um benefício extraordinário de visibilidade e atratividade de turistas. Se o âmbito for internacional, a amplitude será global, gerando mais divisas e mídia espontânea ampla. Nestes casos é necessário planos de contingências de segurança à altura dos eventos, tornando-se ainda mais complexo a estrutura e o investimento que será demandado.
 
 
Em uma percepção pouco apurada, focada em um conceito aparente, é comum que a segurança em eventos seja tratada meramente com a contratação de “homens de preto” ¹ . O conceito de segurança em eventos inclui preliminarmente a vital questão da preservação da integridade física dos participantes e de todos os membros da equipe organizadora. Porém em sinergia com as premissas básicas da hospitalidade, tendo em um evento campo fértil para sua aplicação, a segurança em eventos deve abordar também questões relacionadas ao emocional e moral. Tendo então sua abordagem orientada pelo sentido de bem-estar, buscando total entrosamento e satisfação de todos os envolvidos na atividade.
 
 
Os desafios que o Brasil tem são de grandeza espetacular, afinal em menos de dois anos teremos uma Copa do Mundo da Fifa e os Jogos Olímpicos, nada mais, nada menos que os maiores eventos do mundo. Um dos legados mais expressivos que teremos com esses acontecimentos especiais foi a criação e organização da SESGE... mas esse assunto é para o próximo post... aguardem!
 
 
 
  
Termo popularmente utilizado para conceituar os profissionais da área de segurança privada que geralmente vestem trajes preto.)
 
 
 
Andréa Nakane
Andréa Nakane é coordenadora geral do curso de Turismo da Universidade Anhembi Morumbi, sócia-diretora da Mestres da Hospitalidade e autora do livro "Segurança em Eventos, Não Dá Para Ficar Sem". 

 





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Uma seção dedicada para facilitar o dia a dia do profissional. Matérias tutorias sobre as mais diversas etapas de produção de um evento.
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Andréa Nakane
Coordenadora geral do curso de Turismo da Universidade Anhembi Morumbi, sócia-diretora da Mestres da Hospitalidade e autora do livro "Segurança em Eventos, Não Dá Para Ficar Sem".